Revista Fotoptica Nº 94 - 1980 Biblioteca de Fotografia do IMS - Coleção Thomaz Farkas

Um espaço para discutir o cinema de animação. O I Cine-Curso de Animação, realizado pelo Consulado do Canadá pode ser, enfim, o motivo que faltava para que os profissionais e artistas do cinema de animação comecem a se reunir e debater os caminhos de sua arte. Sucesso Entre os dias 4 e 15 de fevereiro, São Paulo foi sede do I Cine-Curso Anima ­ ção, promovido pelo Consulado do Cana ­ dá para comemorar os 40 anos de ativida ­ des do Instituto Nacional do Filme do Ca ­ nadá. Esta iniciativa pioneira do Consulado canadense, que contou com a colaboração da Empresa Brasileira de Filmes-Embra- filme, CESP, TV Cultura, Kodak e do Nú ­ cleo de Animação de Campinas, reuniu 10 conferencistas de prestígio nacional e inter ­ nacional nas áreas da realização cinemato ­ gráfica de_ animação brasileira: Alberto Barcellos, Álvaro Moya, Zelio Alves Pinto, Marceo Giovanni Tassara, Maurício de Sousa, Jayme Cortez, Mário Lantana, maestro Francisco de Moraes, Rodrigo C. Brandenburger, Roberto Miller e Oswaldo Cruz Kemeni. Nas duas semanas de trabalhos, foram apresentadas conferências sobre a Histó ­ ria, função cultural, criação de persona ­ gens, estilos e técnicas do cinema de ani ­ mação e, também, sobre o trabalho do ani ­ mador na realização de uma cena, a decu ­ pagem visual, o som e a música no cinema de animação, o espectro cromático e a obra de Norman MacLaren. O evento contou com 45 participantes especialmente convidados entre os profis ­ sionais de agências de publicidade, produ ­ toras de filmes, ilustradores, grafistas, car ­ tunistas e profissionais da área de comuni ­ cação. Na tarde do dia 12, um dos conferen ­ cistas, Zélio Alves Pinto, sugeriu que fosse redigido um documento assinado pelos corpos docente e discente do curso, além de um representante do consulado cana ­ dense, a ser enviado pessoalmente ao pre ­ sidente da Fiesp-Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - para a criação, na Fiesp, de um núcleo de cinema de ani ­ mação, semelhante ao Instituto Nacional de Cinema do Canadá. Os demais confe ­ rencistas aprovaram a sugestão e escolhe ­ ram Zélio Alves Pinto, Marcello Tassara, Maurício de Sousa, Heitor Capuzzo, Hilda Félix Fressiz e Bruno André para a redação do documento representativo dos partici ­ pantes para ser enviado à Fiesp. No dia 13, às 19 horas, o cônsul do Ca ­ nadá em São Paulo, Sr. Victor G. Lotto, recepcionou conferencistas, participantes e convidados da imprensa em um coquetel no Brasilton Hotel, ocasião em que foram entregues os certificados de conclusão do curso. No coquetel de encerramento do I Cine-Curso Animação o clima era de satis ­ fação, tanto entre os conferencistas como entre os participantes pelo êxito do evento. Para Wagner Augusto, redator das revistas infantis nacionais da Editora Abril, "o su ­ cesso do curso deveu-se, em parte, pelo bom nível geral dos inscritos, já que todos tinham algum tipo de experiência em dese ­ nho de animação. Com isso, não se per ­ deu tempo com explicações que, para ini ­ ciados no assunto, talvez fossem desneces ­ sárias ” . Já Hugo Citti de Lauro, da Ztúdio Serviço Técnicos S/C, declarou que “ a única coisa a lamentar foi o tempo dado para cada conferencista: eram tantas infor ­ mações novas a serem transmitidas, que as duas horas dadas a cada um deles foram insuficientes. Mesmo assim, as conferên ­ cias foram ótimas ” . Ainda durante o coquetel, alguns dos participantes do curso reforçaram a idéia da criação de um núcleo de cinema de ani ­ mação na Fiesp. Para eles, só assim esse ti ­ po de atividade poderá ser difundido no Brasil, formando novos profissionais, in ­ crementando o mercado e atigindo um enorme público em potencial. Rui Moraes

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