Revista Fotoptica Nº 94 - 1980 Biblioteca de Fotografia do IMS - Coleção Thomaz Farkas

antes de disparar a câmara, e só o faz quando tem a certeza de ter descoberto o ângulo e a luz certos. “ Em um metro quadrado de mata ” , diz Kerstin, “ existem muito mais coisas a serem fotografadas do que supõe a vã filosofia, e eu não apresso situações quando estou livre e em contato direto com a natureza. Fico apenas esperando aquele suave feixe de luz, aquele reflexo inesperado, e aí a foto sai naturalmente. ” Esse trabalho, que foi realizado nas matas do litoral paulista e exposto pelo Museu de Arte de São Paulo, MASP, é também um alerta contra o desmatamento criminoso que vem sendo realizado em quase todo o litoral do Estado. “ É preciso ” , diz Kerstin, “ que as pessoas vejam toda a beleza que está sendo destruída indiscriminadamente, sem um mínimo de bom senso. Acho que, como fotógrafa, tenho o dever de, pelo menos, documentar as imagens de um mundo escondido e lindo que pode desaparecer sem que a maioria das pessoas tenham consciência de que existe. ” E para isso ela tem uma fórmula simples: “ Deixem a natureza em paz. Ela sabe como resolver seus próprios problemas. Sozinha ” .

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