Revista Fotoptica Nº 94 - 1980 Biblioteca de Fotografia do IMS - Coleção Thomaz Farkas

DISCOS Um baiano elétrico Pepeu Gomes não deixa por menos. Seu segundo disco solo recebeu o nome de Na Terra a Mais de Mil, único título capaz de conter toda a sua eletricidade e swing instrumental. Guitarrista privilegiado que mistura influências do rock às sonoridades mais puras da música brasileira, ele consegue neste disco algumas obras significativas para a música jovem nacional. Seu único engano é ter se transformado também em cantor. Não que sua voz seja desagradável; é que, cantando, não vai além do eficiente, o que é pouco para quem é brilhante com uma guitarra nas mãos. Ainda assim um disco indispensável. Apenas um voz agradável Não se pode negar que a voz de Rita Coolidge é agradável. Também não se pode negar que seu último LP, Satisfied, é extremamente chato. Da cantora que, em 1969, acompanhou a excursão de Joe Cocker e The Mad Dogs and Englishmen e depois participou de gravações junto com Eric Clapton, Stephen Stills, parece não haver nem lembrança. A qualidade dos compositores de então foi trocada (com excessão de uma faixa de Carole King) por músicas dançáveis, baladas adocicadas, capazes de provocar colapsos em diabéticos. Enfim, Satisfied é um disco dispensável para quem exige da música algo mais que uma voz agradável. A música do Pantanal Disco é cultura. No caso de muitas gravações, essa frase obrigatória nas contracapas pode ser colocada em dúvida. Mas não nos discos lançados por Marcus Pereira. Em todos eles existe a preocupação e o objetivo declaradamente cultural. Por exemplo: o Grupo Acaba, Cantadores do Pantanal, gravação lançada recentemente. Até então se desconhecia a produção musical matogrossense e a existência desse grupo voltado para a preservação da cultura da região pantaneira, uma região praticamente desconhecida, mas nem por isso menos rica culturalmente. No disco, os temas são locais, a música tem influência indígena e o grupo a seriedade para realizar um trabalho consistente . Em Plenitude, uma Maria Alcina mais jovem A irreverência tem sido a marca registrada de Maria Alcina desde o seu aparecimento, em 1969, com Fio Maravilha . Só que, durante muito tempo, seu repertório esteve voltado para o passado, para regravações de composições antigas, o que acabava por mantê-la restrita a um único público. Agora, em Plenitude, o último disco, ela alterou significativamente o que canta. Escolheu compositores jovens, criativos, bem humorados, românticos e até compenetrados. Com uma voz mais trabalhada e segura, interpreta um time invejável, composto de nomes como Rita Lee, Moraes Moreira, Eduardo Dusek, Belchior e Walter Franco. Astor Piazzolla - Retrospectiva Astor Piazzolla es un loco muy loco. Dessa forma definem os argentinos a personalidade musical desse notável criador que é Piazzolla. Este disco é um retrato da trajetória de Astor, reunindo gravações preciosas como síntese dos mais importantes flagrantes de sua música, que ele prefere chamar de moderna música da cidade de Buenos Aires, abandonando definitivamente o rótulo de compositor de tango.

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