Revista Fotoptica Nº 94 - 1980 Biblioteca de Fotografia do IMS - Coleção Thomaz Farkas

de controles nos prés. A primeira, que pre ­ valece no Japão, defende a redução máxi ­ ma do número de controles, ficando apenas com os indispensáveis, como o de volume, o seletor e, quando muito, o de graves e agudos. A idéia é não encarecer demais o produto e investir o máximo na qualidade básica do som. A segunda corrente predo ­ mina nos Estados Unidos e defende o maior número possível de controles. Por isso, co ­ mo regra geral, dizemos que, para compen ­ sar a baixa qualidade elétrica, multiplicam-se os controles. Qual foi a linha seguida pela Gradiente? Nelson Bastos explica: — Pensamos muito antes de optar por um desses caminhos. Consideramos a posi ­ ção da empresa hoje e as aspirações do mer ­ cado brasileiro. E, por fim, decidimos asso ­ ciar num só aparelho a mais alta performan ­ ce aos recursos que as pessoas realmente desejam usar. E, assim, cremos ter alcança ­ do o duplo objetivo, atendendo ao audiófi ­ lo mais exigente e àqueles que, além do som incomparável que o pré-amplificador pode proporcionar, querem também gravar uma fita em casa, montar uma mesa de con ­ trole ou mesmo uma discoteca. A primeira diferença básica em termos de recursos ou features do P- 1 é a existência de um mixer. Há dois grupos de entradas (1 e 2), com três fontes cada um: phono , tuner e auxiliar. Quando se quer mixar, aciona-se o controle específico, fundindo qualquer en ­ trada do grupo 1 com qualquer outra do grupo 2. Todo mixer introduz alguma perda na relação sinal-ruído. Por isso, o mixer é e l iminável, fisicamente, isto é, pode ser ex ­ pelido para fora do circuito. Quando a cha ­ ve do mixer está na posição 2, pode-se es­ cutar previamente um disco (pelo fone de ouvido) enquanto se toca outro, no grupo 1. E uma forma de “ pré-escuta ” muito útil, para quem costuma gravar, em casa ou em estúdio. Outra característica avançada do pré são os VU meters, que tanto podem medir a saída da gravação (com o meter instantâ ­ neo, digital) como medir o volume do disco que se executa no toca-discos e se ouve no fone de ouvido. Esse VU pode ser usado como medidor normal ou para medir picos. Ou ainda na posição hold, para memorizar as passagens de volume mais elevado do disco ou de recepção FM. O P- 1 tem, evidentemente, os controles para graves, médios e agudos. Aliás, o con ­ trole de médios valoriza bastante o equipa ­ mento. E os demais controles básicos como loudness, muter, low-cut, hi-cut, etc. Uma facilidade extra é proporcionada pelo circuito de monitoração, que permite que o gravador B copie a fita do gravador A, independentemente do resto que o pré este ­ ja comandando. Nelson Bastos explica essa versatilidade de forma pitoresca: — Os mais exigentes poderão, portanto, enquanto copiam uma fita, gravar um pro ­ grama num terceiro gravador e ainda escu ­ tar o toca-discos no fone de ouvido. Há outra saída de pré-amplificador, além da saída dos fones. Quem quiser monitorar o segundo toca-discos, via amplificador e não via fone de ouvido, poderá fazê-lo por essa saída. Para atender às exigências do amplifica ­ dor A- 1 , esse pré tem que apresentar tam ­ bém um slew-rate muito elevado, bem como uma relação sinal-ruído extremamente posi ­ tiva. O pré-amplificador de phono usa tran ­ sistores de potência, para produzir correntes elevadas e diminuir a distorção por intermo ­ dulação de transientes (DIT) . E esses transis ­ tores de potência dissipam razoável quanti ­ dade de calor. A fonte, por isso, foi coloca ­ da fora do chassis, na parte traseira. O P- 1 utiliza também um transformador toroidal (em forma de rosca) , colocado para evitar o zumbido ou interferência. Vale aqui uma apreciação mais conclusi ­ va. O System One é um conjunto desenvol ­ vido para enfrentar o que há de mais avan ­ çado em termos de mercado internacional. Agora, com a aquisição da Garrard inglesa, a Gradiente poderá abrir perspectivas real ­ mente promissoras para o System One. O sistema em sua fase inicial é integrado pelo pré P- 1 , o amplificador A- 1 — que aca ­ bamos de comentar — , o toca-discos direct drive DD-1 e o tape-deck CD-1, além do móvel rack de elevado padrão. O conjunto completo custa hoje algo próximo dos Cr$ 100 . 000. A Gradiente está projetando mixers, equalizadores e sintonizadores com ­ patíveis com os padrões do System One. 47

RkJQdWJsaXNoZXIy NjEwNjAz