Revista Fotoptica Nº 94 - 1980 Biblioteca de Fotografia do IMS - Coleção Thomaz Farkas

SOM System One Um sistema de alto padrão, ambicioso, avançado e em nível realmente profissional — eis aí um resumo subjetivo de qualidades que se poderíam atribuir ao System One, da Gradiente. Mas esta é a análise menos confiável que poderiamos fazer de qualquer equipamento. Não é esse tipo de informação que pode levar o leitor a tomar sua decisão, nem sequer o que lhe permite conhecer o equipamento. Vamos analisar o System One, partindo de uma entrevista com um dos seus criadores, Nelson Bastos, diretor da Gradiente. Durante esta conversa espontânea, você terá algumas idéias gerais e um bom número de informações e dados precisos sobre o pré e o power, os dois módulos que compõem o alicerce do System One. Menos do que um bom negócio, a pro ­ dução de equipamentos de áudio de padrão avançado é questão de status que só a mé ­ dio ou longo prazo talvez seja lucrativa. Pré-amplificador, amplificador de 200 watts RMS em 8 ohms por canal, tape-deck e toca-discos compõem os três equipamen ­ tos básicos desse sistema, concebido dentro de padrões profissionais e dimensões para montagem em rack. Comecemos a análise pelo amplificador A- 1. A história do desenvolvimento desse am ­ plificador é contada aqui por Nelson Bastos: “ Pretendíamos que o amplificador pudesse ser comparado com os melhores disponíveis no mundo. Por isso, partimos para a produ ­ ção de um equipamento cujo compromisso único fosse com a qualidade, sem conces ­ sões à redução do preço final ” . O último protótipo foi testado com o au ­ xílio de um aparelho para comparação ins ­ tantânea com outros importantes equipa ­ mentos importados, de alto padrão. Os re ­ sultados, frisa Nelson Bastos, foram os me ­ lhores possíveis. — O amplificador foi levado para a casa de alguns audiófilos, possuidores de equipa ­ mentos importados de alta categoria, como o Audio-Research , à válvula, e ligado alter ­ nadamente para testes. Fizemos os testes ti ­ po A-B. E o audiófilo ia tentando identificar • o equipamento: este é A; aquele é B. No fi ­ nal, tivemos o resultado: nosso amplificador é comparável aos melhores que se produ ­ zem no mundo. Quando um audiófilo erra duas vezes em quatro tentativas, é sinal de que os desempenhos estão muito próximos. Na verdade, todos os detalhes do A- 1 parecem ter merecido carinho especial no desenvolvimento do equipamento. Tudo o que, objetivamente, pode ser medido — re- 46 lação sinal-ruído, distorções de todos os ti ­ pos, potência, resposta de freqüência, etc. — foi exaustivamente melhorado. Depois, veio a discussão dos pontos de diferencia ­ ção entre os elementos essenciais dos equi ­ pamentos. — Uma dessas características — observa Nelson Bastos — é a distorção por intermo ­ dulação de transientes. A ela dedicamos grande parte de nossas pesquisas para che ­ gar aos melhores resultados. Mas não há ín ­ dices normalizados para medir essa caracte ­ rística. Conseguimos, contudo, nessa linha, produzir um amplificador com slew-rate de 80 volts por segundo. Para refrescar a lembrança do leitor, lem ­ bramos que o slew-rate é a medida da rapi ­ dez com que um amplificador é capaz de partir do estado de repouso e atingir uma tensão elevada numa fração extremamente pequena de segundo. No caso do A- 1 por exemplo, o amplificador atinge 80 volts em apenas um microssegundo (um milionésimo de segundo), partindo do zero. E uma res ­ posta realmente muito rápida, especialmen ­ te se a compararmos com o padrão norte- americano, o Crown DC-300, que tem um slew-rate de 25 volts/microssegundo. — Logo — observa Nelson Bastos — , podemos dizer que o A- 1 é algo mais do que três vezes mais rápido que o Crown. A Gradiente afirma que está fabricando o amplificador mais potente do Brasil, capaz de fornecer 400 watts RMS em 4 ohms por canal, ou seja, 200 watts RMS em 8 ohms por canal. Um circuito permite a ligação de ambos os canais em ponte, possibilitando desempenho monoaural de 720 watts RMS em 4 ohms. A medida de 200 watts RMS em ohms feita entre 20 e 20 000 hertz, com dis ­ torção menor do que 0,05% em qualquer freqüência contida nesses limites, e distor ­ ção típica de 0,02%. A relação sinal-ruído é superior a 100 dB. O amplificador é DC, ou seja, em cor ­ rente contínua. — Se colocarmos uma pilha de 1,5 volt na entrada — diz Nelson Bastos — , o ampli ­ ficador responde e entrega 40 volts na saída. No lado superior, embora saibamos que seja difícil achar geradores de áudio de qualida ­ de que respondam acima de 100 kHz, o amplificador A-l responde até 150 kHz. Para evitar os riscos de um acidente, por inadvertência, há uma chave de proteção que desliga automaticamente, impedindo que as caixas acústicas estourem. Outra ca ­ racterística muito útil são os indicadores de nível de volume (VU meters), que acusam até o nível de corrente contínua. Dessa for ­ ma, o audiófilo pode saber se o amplificador está introduzindo corrente contínua nas cai ­ xas. Há um circuito lógico de proteção que comanda os relés. Se tudo não estiver corre ­ to, esses relés nem chegam a fechar. Diante de correntes inadequadas, entra em ação esse circuito lógico, desligando ambos os ca ­ nais, e acendendo a lâmpada indicadora de sobrecarga no painel (overload) . Falemos do pré-amplificador P- 1 . Seu desenvolvimento seguiu basicamente o mes ­ mo caminho do amplificador A- 1 . O protóti ­ po final foi testado por um método de com ­ paração A-B com outros pré-amplificadores de alto padrão, entre os melhores importa ­ dos existentes em São Paulo. Suas caracte ­ rísticas foram, assim, aprimoradas a ponto de tomá-lo indiferenciável desses similares profissionais. Há duas correntes básicas quanto ao uso

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