Revista Fotoptica Nº 94 - 1980 Biblioteca de Fotografia do IMS - Coleção Thomaz Farkas

REPORTAGEM Yvoti Macambira Wessel, o fundador da primeira Fábrica de papel Fotográfico da América do Sul. No início do século, a maioria dos produ ­ tos industrializados vendidos no país eram importados. Para uma empresa nacional estabelecer-se no mercado havia muitas difi ­ culdades. O empresário da época precisava, muito mais do que um grande capital ou infra- estrutura administrativa, ter um espírito de luta e acreditar muito, mas muito mesmo, no seu trabalho. Além disso, precisava, ter uma grande dose de romantismo, porque, em um país “ importado ” , dificilmente um pro ­ duto de fabricação nacional era aceito. Mes ­ mo quando comprovada a sua equivalência com o similar estrangeiro. A indústria nacional de materiais fotográ ­ ficos é um típico exemplo disso: Conrad Wessel, o fundador da primeira fábrica de papel fotográfico da América do Sul, enfren ­ tou anos e anos de luta diária até conseguir credibilidade para os seus produtos. 56 Atualmente com 89 anos e uma vitalida ­ de de fazer inveja a muitos adeptos das corri ­ das cooperianas, ele foi o primeiro químico brasileiro que ousou colocar seus produtos nas prateleiras das lojas ao lado de nomes como Kodak, Agfa, Gevaert. Podia parecer ousadia querer competir com marcas estrangeiras. Mas Wessel conta que, quando sua fábrica já tinha um grande estoque de papel acumulado pelos cantos, encalhado, ele resolveu ir pessoalmente visi­ tar clientes e oferecer amostras do seu papel. Um desses clientes recusou-se a comprar o papel Wessel, porque, ao compará-lo com o produto estrangeiro, o segundo revelou-se de muito melhor qualidade. Conrad conhe ­ cia o reverso do seu papel e explicou o enga ­ no ao comprador, pois aquele papel, supos ­ tamente estrangeiro, não era o da marca concorrente, e sim o seu. Mas nem assim conseguiu fazer negócio. A história da pioneira indústria de papéis Wessel começa no ano de 1917, quando Conrad Wessel, um argentino de Buenos Aires, que veio para o Brasil com oito meses de idade, decide, incentivado pelo sucesso da clicheria que possuía com o pai, realizar seu grande sonho de trabalhar com fotoquí ­ mica. O sonho ficou mais próximo quando um amigo lhe indicou um professor do Colégio Caetano de Campos, que queria vender má ­ quinas para fabricar papel fotográfico. Com a ajuda financeira do pai, Wessel comprou as máquinas por oito contos de réis, alugou um pequeno galpão na Bana Funda e co ­ meçou a trabalhar. As primeiras provas foram desastrosas. As máquinas dispunham de poucos recursos e o papel saía com manchas e depósitos de poeira. Desanimado, Wessel pensava em desis-

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